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2021 | O Ano Europeu Do Transporte Ferroviário e o GEG

29 Março, 2021

Hoje, dia 29 de Março, inicia-se o ano europeu do transporte ferroviário. O ano de 2021 é um ano essencial para a política ferroviária da UE.  Vai ser o primeiro ano completo de aplicação das regras do Quarto Pacote Ferroviário – o pacote legislativo que visa a criação de um espaço ferroviário europeu plenamente integrado, através da eliminação de obstáculos institucionais, legais e técnicos remanescentes.

O GEG recua na sua história para relembrar vários projetos ligados a ferrovia.


O envolvimento do GEG em Linhas Férreas teve início ainda no século passado, com intervenções de caracter geotécnico na Linha do Douro, linha esta muito sujeita a queda de blocos sobre a plataforma.

Com a criação do Gabinete do Nó Ferroviário do Porto, a empresa passou a ter significativa presença nas Linhas do Douro, Tua, Minho, Braga e Linha do Norte, em grande parte relacionada com aspectos de geotecnia, quer de taludes, aterros, plataforma e tuneis, mas também de pontes. Esta experiência nas infraestruturas ferroviárias estendeu-se à Linha de Leixões, a mais troços da Linha do Norte, Linha do Oeste e nunca mais foi interrompida, quer em Portugal, quer noutros países.

A maior aprendizagem desta época foi a constatação de que  os projectos que se pretendiam ser implementados, só se mostravam como soluções, se exequíveis na construção e eficientes no desempenho, pelo que eram geralmente concebidos e posteriormente confirmados nos próprios locais das obras.

Assim nasceu internamente, no GEG, um grupo de trabalho com muito conhecimento nas Linhas Férreas e das suas especificidades de obra e, por conseguinte, de projecto.

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Para além dos projectos, este grupo deu origem a muitos estudos, investigações e diversas teses de Mestrado, que ainda hoje são frutuosas como, por exemplo, as relacionadas com a estabilização activa e passiva de encostas rochosas. Salientem-se, as efectuadas na linha do Douro, no troço entre Pocinho e Barca de Alva que, mercê do abandono desde 1985, tornou-se num verdadeiro laboratório à escala natural, do estudo do comportamento e das trajectórias de blocos desprendidos de maciços xistentos, só possível porque os blocos caídos mantiveram-se na linha durante muitos anos. As nossas visitas a este troço e os consequentes estudos permitiram ainda a melhor parametrização dos programas de cálculo. O mapeamento do risco de despreendimentos e cedências das encostas, passou a ser uma prática comum nos projectos.

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No tempo da sua construção, o troço da Linha do Douro acima do Pinhão e, particularmente, daqui até Barca de Alva (1980-1985), foi de uma extrema dificuldade construtiva. A inserção da plataforma ferroviária nas escarpas das montanhas, determinou cortes nos maciços rochosos feitos com uma capacidade de engenho único em Portugal, transformando a linha num dos mais belos e desafiantes exemplares da Europa.

Só que, os mais de 100 anos de idade que passaram sobre estes cortes, e outras circunstâncias ambientais e naturais, determinaram progressivo enfraquecimento da estabilidade das encostas, mais notória nas zonas de falhas. Nestas zonas, o GEG desenvolveu inúmeros projectos de estabilização e reforço geotécnico.

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 Por: António Campos e Matos


 

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